Uma rua somos nós
Nela moram o Respeito e a Harmonia.
Na Rua da Alegria não reside o assalto. Os inquilinos, reconquistando o inclusivo hábito usurpado pela Violência, põem cadeiras nas calçadas onde toma assento o rendilhado da vida desorganizada da Rua da Amargura.
Em cada casa vive o Abraço, o Sorriso, o Compartilhamento, o Altruísmo.
Em toda sua extensão organizada, a Fome orgânica ou espiritual não tem império, indeferida que é pela vigilante Fraternidade.
Acontecem semanalmente na Rua da Alegria encontros literários que a Poesia, o Conto, a Crônica promovem na casa da Literatura.
Diariamente a Rua recebe novos habitantes expulsos da Rua da Amargura. Um deles é a Cortesia, da casa nº inclusão, da gentilíssima Educação. Outra recém chegada é a educadora Consciência, que prestigia cada vizinho pelo ser. O que não ocorre na Rua da Amargura, onde a megera Aparência julga os débeis inquilinos pelo ter.
Mas como a bondade é sempre um desafio à maldade, a Rua da Alegria é caminho das tentativas. Ultimamente, quem insultou hospedagem foi a eternamente indesejada Mediocridade, expulsa pela Dignidade. Hoje ela habita o casebre do Orgulho, em outra rua.
Em vão, a milenar Doença, na sua incansável persistência, vive tentando locar suas dores na Rua da Alegria. A Saúde, revigorada pela Felicidade e pelo Otimismo, sempre a expulsa para seu local de origem: a Rua da Amargura.
Festejam as más línguas dessa Rua mesquinha que a Rua da Alegria será invadida pela Avenida do desprezo, que está sendo construída pela empreiteira Arrogância. A oposição será pacifica, mas determinada. A Dignidade, fortalecida pela presença da Paz, da União e pelos virtuosos moradores da Rua da Alegria, resistirá ate o último segundo. Sendo vitoriosa a Avenida, a Rua da Alegria sempre se reinaugurará em outro local, porque primeiramente ela existe dentro de nós.
Do livro Por quem somos?
Silas Falcão

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